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09/01/2018

Papa adverte sobre o perigo de não trabalhar pelo fim das guerras que afetam o mundo

O Santo Padre acolheu o Corpo Diplomático no Palácio Apostólico do Vaticano, na tradicional audiência de ano novo. Seu discurso começou com uma reflexão sobre as lições da Primeira Guerra Mundial, da qual se completará o centenário de seu final neste ano de 2018. Em concreto, assinalou que se pode obter duas advertências daquela disputa mundial que, “a humanidade, infelizmente, não soube compreender de imediato, encontrando-se vinte anos depois a combater um novo conflito, ainda mais devastador que o precedente”, disse em referência à Segunda Guerra Mundial. “A primeira advertência: vencer nunca significa humilhar o adversário derrotado. A paz não se constrói como afirmação do poder do vencedor sobre o vencido. Não é a lei do medo que dissuade de futuras agressões, mas a força serena de uma razoabilidade que incita ao diálogo e à mútua compreensão para sanar as diferenças”, explicou. A segunda advertência é que “a paz consolida-se quando as nações se podem confrontar em um clima de igualdade. Intuiu-o há um século – completa-se precisamente hoje – o então presidente dos Estados Unidos da América, Thomas Woodrow Wilson, quando propôs a instituição de uma associação geral das nações visando promover – para todos os Estados, grandes e pequenos, indistintamente – mútuas garantias de independência e integridade territorial. Deste modo se lançaram, idealmente, as bases daquela diplomacia multilateral que, no decurso dos anos, foi adquirindo um papel e uma influência crescentes no seio da comunidade internacional”. Desarmamento e paz Francisco destacou que a paz deve ser reconhecida universalmente “como um dos valores mais altos que se deve procurar e defender”. Nesse sentido, fez um chamado ao desarmamento, pois “o desarmamento integral e o desenvolvimento integral estão intimamente relacionados entre si. Entretanto a busca da paz como condição prévia para o desenvolvimento supõe combater a injustiça e erradicar, de forma não violenta, as causas da discórdia que levam às guerras”. “A proliferação de armas agrava claramente as situações de conflito e implica enormes custos humanos e materiais, deteriorando assim o desenvolvimento e a busca duma paz duradoura”, advertiu. O Pontífice se referiu, em concreto, a alguns países e regiões onde a paz deve ser uma prioridade para a comunidade internacional. Começou referindo-se à Península Coreana: “é de suma importância que se sustente toda a tentativa de diálogo na península coreana, a fim de se encontrar novos caminhos para superar as contraposições atuais, aumentar a confiança mútua e garantir um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro”. Em seguida, falou da Síria, onde chamou a continuar, “em um clima propugnador de maior confiança entre as partes, as várias iniciativas de paz em curso”, “para que se consiga finalmente encerrar o longo conflito que envolveu o país e provocou imensos sofrimentos. Os votos de todos nós são que, depois de tanta destruição, tenha chegado o tempo de reconstruir. Mas, ainda mais que a construção de edifícios, é necessário reconstruir os corações, voltar a tecer a tapeçaria da mútua confiança, premissa imprescindível para o florescimento de qualquer sociedade”. Definiu como vital a proteção das minorias religiosas presentes na Síria, “entre as quais se contam os cristãos, que há séculos contribuem ativamente para a história da Síria”. Além disso, pediu pelo regresso dos “numerosos refugiados que encontraram acolhimento e refúgio nas nações vizinhas, especialmente na Jordânia, Líbano e Turquia”. Muito relacionada com o conflito na Síria é a situação do Iraque e, por isso, pediu também novos esforços de diálogo, “para que as várias componentes étnicas e religiosas possam reencontrar o caminho da reconciliação, convivência pacífica e colaboração, bem como no Iêmen e em outras partes da região, e ainda no Afeganistão”. O Papa não se esqueceu da convivência entre israelenses e palestinos e da disputa pela soberania da cidade de Jerusalém, que ocasionou episódios de violência nas últimas semanas. “A Santa Sé, ao exprimir o seu pesar por quantos perderam a vida nos recentes confrontos, renova o seu premente apelo a ponderar bem cada iniciativa para que se evite de exacerbar as contraposições e convida a um esforço comum por respeitar, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas, o status quo de Jerusalém, cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos”. Em seu discurso, Francisco também dirigiu um pensamento especial à “querida Venezuela, que está atravessando uma crise política e humanitária cada vez mais dramática e sem precedentes. A Santa Sé, ao mesmo tempo em que exorta a responder sem demora às necessidades primárias da população, almeja que se criem as condições para que as eleições, agendadas para o ano em curso, sejam capazes de dar solução aos conflitos existentes, e se possa olhar de novo com serenidade para o futuro”. Incentivou também a não se esquecer dos países que sofrem a guerra na África, “especialmente no Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e República Centro-Africana, onde o direito à vida está ameaçado pela exploração indiscriminada dos recursos, pelo terrorismo, pela proliferação de grupos armados e por prolongados conflitos”. “Não basta indignar-se perante tanta violência! É preciso que cada um, no seu próprio âmbito, trabalhe ativamente por remover as causas da miséria e construir pontes de fraternidade, premissa fundamental para um desenvolvimento humano autêntico”. Por último, falou da Ucrânia, onde “um esforço comum por reconstruir pontes é urgente também”. “O ano, que findou, ceifou novas vítimas no conflito que atormenta o país, continuando a infligir grandes sofrimentos à população, particularmente às famílias que moram nas áreas afetadas pela guerra e que perderam os seus entes queridos, não raro idosos e crianças”.
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